SP: PSDB dá cargo na Executiva a 5 dos 7 vereadores que ficaram
(Terra - 27/04/2011)

Em acordo firmado após reunião na noite desta quarta-feira, o diretório municipal do PSDB em São Paulo decidiu que cinco dos sete vereadores que não abandonaram o partido receberão cargos na Executiva. A bancada, antes com 13 vereadores, perdeu seis parlamentares nas últimas semanas, o que deflagrou uma crise na legenda. Os vereadores que abandonaram o PSDB alegaram que foram impedidos de participar da eleição do diretório municipal.

O PSDB-SP nega, no entanto, que a eleição dos vereadores tenha sido para conter a crise dentro do diretório. O partido afirma que os nomes já haviam sido escolhidos dias antes da debandada de seis vereadores na semana passada.
Além de Floriano Pesaro, que tem assento permanente na executiva como líder da bancada, o vereador Adolfo Quintas, indicado inicialmente como um dos dissidentes, foi nomeado secretário-geral do PSDB municipal. Tião farias foi empossado como segundo vice-presidente, Gilson Barreto, como tesoureiro adjunto e Claudinho de Souza, como vogal.

O PSDB de São Paulo vai pedir à Justiça a cassação dos mandatos dos seis parlamentares que deixaram o partido. Para o novo presidente do diretório municipal do PSDB, Julio Semeghini, não existe motivação legal para a debandada. "Isso será discutido pela nova Executiva, mas tenho o compromisso de tentar retomar todas as vagas", disse.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem uma resolução que trata da infidelidade partidária, que afirma que a mudança de partido é legítima quando há "discriminação pessoal". Como "prova", os vereadores guardam vídeos de reuniões com dirigentes da legenda. Todos os parlamentares que deixaram a sigla são aliados do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Crise na oposição
Depois da derrota nas eleições presidenciais de 2010, a oposição enfrenta uma crise marcada por rachas internos e a possível fusão de PSDB e DEM. Na terça-feira, outro ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), afirmou que há possibilidade de união entre as duas legendas, mas disse que as conversas são "preliminares". Anteriormente, o senador Aécio Neves (PSDB) disse que as reuniões dos tucanos com o DEM devem começar já para a definição das candidaturas para as eleições municipais do ano que vem. Aécio, no entanto, descartou uma fusão das duas siglas.

Na capital paulista, sete vereadores haviam anunciado saída do PSDB, mas Adolfo Quintas voltou atrás e ficou no partido. Segundo o grupo dissidente, a decisão foi tomada em razão da dificuldade de diálogo com a nova cúpula do PSDB no município, presidido por Julio Semeghini.

Ao mesmo tempo, o prefeito paulistano Gilberto Kassab deixou o DEM e iniciou um processo de criação de um novo partido - o PSD - que ganha força com a adesão de outros políticos descontentes dentro da oposição. O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM), afirmou na segunda-feira que, caso não ocorra a fusão entre DEM e PSDB, seu caminho político será uma filiação à nova legenda de Kassab. Outra que já manifestou apoio ao PSD foi a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Quanto à orientação do PSD, Kassab disse que será "independente".