Escolha da direção do PSDB na capital divide o partido
(Diário de S. Paulo - 11/04/2011)

Maioria dos vereadores abandona convenção partidária após ter rejeitada proposta de composição com grupo ligado a Alckmin. Julio Semeghini, apoiado pelo governador, é eleito presidente do diretório municipal tucano

A disputa pelo comando do diretório do PSDB na capital dividiu o partido. A maior parte da bancada de vereadores abandonou a convenção partidária na tarde de ontem, depois de ter rejeitada sua proposta de composição com o grupo de Julio Semeghini, secretário de Gestão Pública do governo de Geraldo Alckmin e eleito presidente municipal do PSDB durante o encontro. Uma nova reunião deve acontecer na quinta-feira para tentar um acordo entre as partes.

A eleição tucana opôs dois grupos do PSDB na capital. De um lado, ficaram os apoiadores da candidatura de Semeghini, representados principalmente por Alckmin e pelos secretários estaduais Edson Aparecido (Desenvolvimento Metropolitano) e José Anibal (Energia), além do vereador Tião Farias. Aparecido e Farias já ocuparam a presidência municipal tucana. O outro grupo é liderado pelos vereadores José Police Neto e Floriano Pesaro, que defendem o que chamam de renovação de lideranças do partido.

Recuo 
Na convenção de ontem, na Câmara Municipal, a ala de Neto e Pesaro queria eleger um vereador para a presidência da legenda. Como não tinha maioria entre os membros do diretório que foi escolhido, o grupo recuou e propôs a Semeghini e aliados que um vereador fosse eleito para a secretaria-geral do partido. Mesmo assim não houve acordo.

"Fizemos propostas para unir o partido, mas nada foi aceito. Ao contrário, eles (grupo de Semeghini) conduziram o processo de renovação da direção partidária para o desastre. Tivemos 60 dias de negociação, mas eles dividiram o partido", disse Pesaro. Depois da eleição do presidente, a convenção foi encerrada sem a escolha dos demais membros da executiva da legenda. A definição deve acontecer na quinta-feira.

Tião Farias minimizou a divisão. "O que houve foi uma disputa. Não teve racha, talvez um arranhão", disse. Segundo ele, nas três eleições anteriores da direção, o partido também elegeu apenas o presidente, deixando o preenchimento dos outros cargos para a primeira reunião do novo diretório.

Ele, no entanto, não esconde a dificuldade de o grupo de Pesaro indicar o secretário-geral. "A proposta não foi rejeitada, mas é preciso entender que o secretário-geral e o tesoureiro têm de ser pessoas próximas do presidente", afirmou Farias.